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Vulnerável

  • julianasena1069
  • 16 de mai. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de mai. de 2022

Vulnerável, característica necessária (suponho eu) para um escritor. Eu sou escritora, na maioria dos meus textos me coloco sobre a mesa para todos observarem (como um pernil na ceia de natal, pronto para ser devorado depois de ser aberto e cortado por várias pessoas). Não somente na escrita, costumo ser transparente em meus dias também. Não escondo minha angústia para parecer perfeita, inclusive, não suporto gente que insiste em tentar enganar a todos com sua máscara impecável de perfeição. Talvez, seja justamente esse o motivo pelo qual muita gente já se sentiu verdadeiramente acolhida por mim.

Sou errada, imperfeita, melancólica, defeituosa e assumo! Mas desde que me mudei para uma cidade incrível, deixei de escrever por medo de assumir que o sangramento do meu ser ainda não foi estancado. Medo de ser julgada pelas más línguas, acompanhadas de "Como ser triste diante de praias glamourosas?" Pior que há! Há como ser, não por culpa das praias, mas porque eu ainda continuo sendo eu! Por onde eu for, sei que vou me levar e continuarei enfrentando as melancolias da minha alma.

Dia desses, chorando incontrolavelmente, não clamei a Deus, clamei por Clarice Lispector, perguntando repetidamente:

- Por que dói tanto Clarice? Por que dói tanto Clarice?

Com a esperança de receber uma resposta reconfortante do além, caí no sono e acordei melhor.


Desde a minha primeira crise depressiva tenho travado uma luta constante. Durante cinco anos tive picos de lucidez e quedas depressivas desesperadas. Reinventei-me diversas vezes, enterrei sonhos e construí outros, fui a melhor e a pior diversas vezes.

Até que a segunda crise veio e ela me derrubou, e feio. E tirou a minha capacidade espetacular: sede por aprender. Morri?! Não, mas aqui debaixo da terra tenho tentando cavar um buraco para pelo menos conseguir respirar melhor. Então hoje, num dos poucos minutos de paz que senti enquanto lia o livro Comer, rezar, amar de Liz Gilbert, que se colocou a mesa como um peru de Natal em 342 páginas de tamanha vulnerabilidade, assumindo que estava depressiva durante sua estadia em Roma, me deu coragem pra assumir que está tudo bem sentir o que estou sentindo em meio a tantas paisagens lindas.

uffa...falei!


 
 
 

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